sexta-feira, agosto 31, 2007

"Baghdad Burning"

Blog de jovem iraquiana vira peça em Edimburgo

O blog anônimo Baghdad Burning (Bagdá em Chamas), escrito por uma jovem mulher iraquiana, virou peça de teatro.

Durante os três últimos anos, a autora de 25 anos, que utiliza o pseudônimo Riverbend, tem escrito um blog diário sobre a vida na capital do Iraque, Bagdá.

Ela fala sobre seu amor pelo país e seu povo, a devastação e o conflito, assim como sobre seus medos em um momento em que extremistas parecem estar tomando conta da cidade.

A adapatação do blog, que está sendo apresentada no Festival Fringe, em Edimburgo, é interpretada pelo grupo Six Figures Theatre Company, de Nova York.

Palmeiras

Cinco atores interpretam diferentes aspectos da personalidade de Riverbend.

A diretora Kimberley Kefgen, que co-adaptou Baghdad Burning, disse que eles tentaram ser fiéis ao espírito do diário na Internet.

"É uma história que não estava sendo ouvida", disse ela à BBC.

"Estávamos muito interessados em trazer à vida vozes que não estavam sendo ouvidas de outras formas."

Ela contou que houve vários desafios na adaptação para o palco de um trabalho que não estava escrito.

Do grupo de cinco atores - composto por quatro mulheres e um homem - um tem família no Iraque.

"Eu sei bastante sobre o custo pessoal e os problemas", disse Heather McCutcheon.

Ela acrescentou que a cobertura da mídia sobre o sofrimento no Iraque levou a um grau de apatia por parte do público em geral.

"O interessante em teatro é que ele cria uma viagem artística e um tanto quanto espiritual para os espectadores", disse ela. "Não é apenas cobertura jornalística."

Há uma passagem no blog em que Riverbend descreve sua raiva ao ver as forças dos Estados Unidos arrancando palmeiras e fala sobre o significado das árvores na cultura iraquiana.

Natureza humana

"Por alguma razão, olhos e ouvidos do Ocidente quase conseguem simpatizar mais com uma palmeira sendo cortada do que com mais um corpo - o que é uma vergonha", comenta Heather.

"Porém é o dom do teatro que está permitindo que a natureza humana seja alcançada."

A diretora da peça disse que foram selecionados trechos variados do blog, mas ressaltou que havia várias linhas principais.

"Você vê a vida de Riverbend como uma jovem mulher, educada e que trabalha e o quê esta jornada tornou-se nos três últimos anos no Iraque", disse Kefgen.

"Apesar de ela ser totalmente contária à ocupação, ela nunca perde sua bondade; ela nunca perdeu sua necessidade de equilibrar as coisas."

A peça foi escrita sem a contribuição de Riverbend, mas Kefgen disse que ela deu sua aprovação à produção.

"Nós realmente estávamos desconfortáveis sem sua aprovação", disse a diretora. "Por isso enviei um último e-mail na noite anterior à estréia."

"Ela respondeu no dia seguinte. Disse que estava emocionada que isto estava acontecendo e nos desejou boa sorte. Ela realmente nos deu muito apoio."

Entrevista com Nadia Yassine

Islamita marroquina Nadia Yassine - 'Nossa religião é boa para as mulheres'

Daniel Steinvorth

Ela é uma das figuras de oposição mais famosas do Marrocos, já foi levada ao banco dos réus várias vezes por suas críticas à família real e é uma feminista confessa. Em uma entrevista para a "Spiegel Online", a islamita Nadia Yassine discute sua oposição à monarquia do Marrocos e a situação das mulheres.

Spiegel: Sra. Yassine, como é possível ser uma islamita e feminista ao mesmo tempo?

Yassine: Estes são apenas rótulos. Simplificar as coisas vem da lógica da mídia. Mas falando sério: a história do movimento das mulheres no Ocidente se desdobrou de forma completamente diferente daqui. Ela é baseada em outras tradições e busca metas diferentes. Visto de forma superficial - se tudo o que importa são os direitos das mulheres - você pode me chamar de feminista se quiser. Mas eu falo por uma cultura diferente, a islâmica. Nossa religião é muito boa para as mulheres. Na teoria, nos nossos textos sagrados, nós temos muitos direitos. Mas os homens, estes pequenos machistas, nos roubaram isto. É por culpa deles que o mundo todo acredita no oposto.

Spiegel: O movimento secular das mulheres no Marrocos tem uma visão completamente diferente: ele acredita que certas tradições muçulmanas são culpadas pela opressão às mulheres.

Yassine: As feministas seculares são apenas parte de uma pequena elite. Elas vivem em uma bolha intelectual. Elas imitam o Ocidente. Elas se afastaram da cultura islâmica. Elas são seguidoras de pequenos partidos políticos que são dependentes do rei. Isto por que, mais do que qualquer outra coisa, elas querem defender seus privilégios. Os islamitas, por outro lado, são populares. Eles representam o povo. Pois o fato é que estamos vivendo em uma sociedade muçulmana.

Então lhe pergunto: como o movimento das mulheres deve funcionar com base nos valores islâmicos? Nossa religião é muito mais capaz de solucionar os problemas sociais do que os modelos ocidentais que apenas beneficiam a elite. Se você solucionar os problemas sociais, você também ajuda as mulheres. As mulheres não têm problemas com o Islã. Elas têm problema como o poder.

Spiegel: Mas o rei do Marrocos fez muito pelas mulheres. Em 2004, ele reformou a arcaica lei de família do país, de forma que a poligamia agora só é possível com limitações, e o casamento forçado foi proibido, assim como a violência doméstica. Mas a senhora ainda assim rejeitou estas reformas, por quê?

Yassine: Eu não me opus por motivos religiosos, mas sim políticos. Eu também queria uma melhora da situação das mulheres. É claro que é direito das mulheres ter mais liberdades. Mas como isto fica na prática? Como uma mulher pode fazer uso de seu direito ao divórcio, por exemplo, se ela não tem emprego após o divórcio e vai parar na rua? Nas áreas rurais, agora há bem mais casamentos ilegais. Lá, as mulheres têm esta escolha: ou se prostituem, ou se casam ou migram para as cidades grandes. O rei aprovou uma lei para as mulheres que freqüentam colégios, mas não para a cidadã rural média.

Spiegel: Mas as coisas não estão avançando em uma boa direção no Marrocos? Em comparação a outros países árabes, pelo menos há um certo senso de estabilidade.

Yassine: Há estabilidade, mas não durará muito. Os estrangeiros que nos visitam e vêem os bairros limpos de Ravat e Casablanca ficam com uma primeira impressão completamente falsa. Há um grande desespero nos bastidores. O governo pode ter melhorado a situação legal para as mulheres, mas ainda não há empregos para os jovens do país. As favelas estão crescendo e não há um sistema de saúde funcionando. Eu nem ousaria colocar o pé em alguns bairros. A violência lá é tremenda.

Spiegel: E o que a senhora faria diferente? Como seria um Estado muçulmano baseado em suas idéias?

Yassine: O Islã que queremos reviver é um Islã de diálogo. Nós somos uma organização política e social, mas também somos um movimento espiritual, não-violento. Nós acreditamos que o Alcorão transmite uma mensagem universal. Nós criticamos o fato do Marrocos ser uma monarquia hereditária autoritária. Muitos no Ocidente acreditam que as sociedades árabes devem automaticamente ser despóticas, mas isto não é verdade. Um modelo muçulmano de governo de acordo com nossas idéias é basicamente um exemplo de democracia popular, se quiser.

Spiegel: A senhora deseja abolir o Estado secular?

Yassine: Para mim, o secularismo é um mito. Afinal, o rei só permite uma separação limitada dos poderes. O que queremos é uma verdadeira democracia e transparência. Nós exigimos um pacto muçulmano que inclua todos os grupos sociais - um que funcione de acordo com o mínimo denominador comum neste país: o Islã. Esta aliança deve desenvolver uma nova Constituição, que não mais sirva à autocracia.

Spiegel: Uma Constituição baseada na lei islâmica, a sharia?

Yassine: Se esta for a vontade democrática do povo, então sim.

Spiegel: Em maio de 2003, mais de 40 pessoas morreram em ataques suicidas de fundamentalistas islâmicos em Casablanca. Neste ano, ocorreram mais ataques terroristas. Como a senhora conseguiu se distanciar dos criminosos violentos dentro do campo islamita?

Yassine: Infelizmente eu tenho que dizer que novos ataques são tão possíveis quanto o risco de um golpe de Estado. Afinal, o contexto econômico não mudou. Enquanto vocês no Ocidente têm uma sociedade civil que funciona, sindicatos e uma classe média há décadas, nós basicamente temos uma classe alta que se enriquece descontroladamente. Nós não temos nada a ver com as células islamitas fundamentalistas violentas, mas entendemos suas motivações. Este é também um motivo para eu ser considerada perigosa. Eu sou uma importante oponente do rei.

Spiegel: O que a senhora faria se o rei lhe pedisse para cooperar com ele?

Yassine: Há tentativas constantes de me integrar ao sistema. Às vezes sou intimidada e às vezes seduzida. Mas enquanto não ocorrer mudanças abrangentes neste país, eu não posso fazer parte do jogo político.

Spiegel: E a senhora não se incomoda com o fato de seu movimento também ser dominado pelos homens?

Yassine: Isto é normal. É quase uma lei da natureza. Os homens sempre lideraram grandes organizações. Mas há muitas mulheres na base. Nós nem mesmo precisamos de uma cota. Esta é outra área em que não precisamos imitar o Ocidente.

Tradução: George El Khouri Andolfato

domingo, julho 15, 2007

Livro "O Islã Clássico"


Sinopse
Se considerarmos a importância de vencer a lacuna cultural que, no Brasil, tem marcado nossa ignorância sobre o mundo árabe, este livro é um marco decisivo ao romper o silêncio e deixar que ouçamos as vozes da cultura islâmica. De seus múltiplos aspectos, destacamos três que nos parecem dos mais relevantes neste belo livro. Graças à sua estrutura interdisciplinar e à organização comparativa dos ensaios, torna manifesta a particularidade da língua e da literatura, da história e do direito, das práticas e do pensamento árabes, e, simultaneamente, revela sua universalidade, responsável por seu papel cabal na formação do pensamento judaico e cristão e, portanto, na constituição da cultura do Ocidente. Ao fazê-lo, ressalta o segundo aspecto, qual seja, seu significado político, pois nosso desconhecimento do modo de ser e viver, de dizer e pensar próprio da cultura islâmica nos torna presas fáceis dos interesses de uma ideologia que transforma os árabes em fanáticos religiosos, terroristas inimigos da paz e da liberdade. Deixamo-nos persuadir pela imagem do bárbaro, figuração malévola do Outro como aquele que põe em perigo nossa identidade e contra o qual é preciso defender-se.


O ISLÃ CLÁSSICO
ROSALIE HELENA DE SOUZA PEREIRA

ISBN: 9788527307789
Editora: PERSPECTIVA
Número de páginas: 872
Encadernação: Brochura
Edição: 2007

Pesquisa de preço:
http://www.bondfaro.com.br/

Mostra de arte islâmica em Londres

13/07/2007 - 18h16

Londres inaugura mostra de arte islâmica de coleção privada neste sábado


da France Presse, em Londres

Londres se prepara para abrir ao público uma das maiores mostras nos últimos tempos de uma coleção privada de arte islâmica. Com direito a discursos do Príncipe Chalers e do Aga Khan, a exposição traz objetos reunidos pela Aga Khan Development Network. O título de Aga Khan é hereditário e é uma espécie de líder espiritual e geral do Islã.

A exibição, a ser aberta ao público neste sábado (14) no Centro Ismaili, a alguns passos do Museu Nacional britânico de Arte e Desenho (Victoria and Albert Museum), inclui pergaminhos do Corão, cerâmica, jóias, tecidos e poemas compostos entre os séculos 8 e 9 em uma região ampliada do sul da Espanha passando pela China e a Indonésia. Ao total, são 165 itens de arte islâmica.

"A arte e a cultura nos falam além das divisões sectárias. Se um objeto é belo, não precisa ser rotulado, não deve ser visto em primeiro lugar se cristão, hebreu ou muçulmano, ou se faz parte da tradição xiita ou sunita", disse Alnoor J. Merchant, curador da exposição.

"A linguagem da arte supera todas as fronteiras", afirmou o curador da mostra intitulada "Spirit & Life" (Espírito e Vida, em tradução livre).

"A poesia e a literatura também são universais, precisando apenas ser traduzidas", disse o curador.

A exposição mostra como o amor erótico, a música e a dança, estiveram sempre muito arraigados no mundo islâmico.

Merchant afirmou que os objetos apresentados na exposição no Centro Ismaili representam apenas entre 15% ou 20% da coleção de Aga Khan --uma das mais importantes coleções privadas da arte islâmica do mundo.

A coleção está armazenada em Londres e Genebra, esperando a inauguração em 2010 de um museu em Toronto, no Canadá, que está sendo construído para acolhê-la de forma permanente.

Arte islâmica medieval

Arte islâmica medieval usava matemática moderna, diz estudo

Um estudo mostrou que alguns dos padrões geométricos da arte islâmica medieval usam princípios estabelecidos séculos depois por matemáticos modernos.


O design islâmico que usa polígonos e estrelas foi ficando cada vez mais sofisticado

Pesquisadores dos Estados Unidos descobriram exemplos de arte islâmica do século 15 que usam conceitos da geometria moderna. A descoberta foi publicada na revista científica Science.

Este fato indicaria a compreensão intuitiva de fórmulas matemáticas complexas por parte dos artesãos, mesmo com a falta de conhecimento da teoria que é base para estas fórmulas.

A pesquisa mostra que ocorreu um importante salto evolutivo na matemática islâmica por volta dos anos 1200.

Simetria

"É absolutamente maravilhoso. Eles fizeram azulejos que refletem (conceitos da) matemática tão sofisticados que não descobrimos (estes conceitos) até 20 ou 30 anos atrás", disse Peter Lu, físico da Universidade de Harvard.


Peter Lu se interessou por arte islâmica depois de visita ao Uzbequistão


Os designs islâmicos usam formas poligonais simétricas para criar padrões que poderão ser estendidos infinitamente, ecoando conceitos de geometria moderna.

Até o momento, a visão convencional era que os complicados padrões de estrelas e polígonos usados no design islâmico tinham sido concebidos a partir de linhas em ziguezague traçadas com o uso de compassos e réguas de pedreiro.

"É possível analisar e ver a evolução, o aumento da sofisticação geométrica. Então, eles começavam com padrões simples, que ficavam mais complexos", afirmou Lu.

O físico se interessou pelo assunto durante uma viagem ao Uzbequistão, onde notou em uma construção islâmica do século 16 com azulejos que usavam o padrão decagonal.

Peter Lu, que projeta experimentos físicos para a Estação Espacial Internacional, estava na região para visitar uma instalação espacial no Turcomenistão.

A arte tradicional islâmica usa uma mistura de caligrafia, designs geométricos e florais, pois existe uma proibição da representação da forma humana.

terça-feira, junho 26, 2007

Andrei Nekrasov

Alguns trabalhos do diretor russo:

2007:
A Rebelião: O Caso Litvinenko
2004:
Disbelief
2000:
Children’s Stories (realizado na Chechênia)

Disbelief - Sinopse


A explosão de uma bomba num prédio residencial em Moscou, com conseqüências fatais, incita uma série de questões sobre terrorismo e intriga pós-soviética. Um documentário sobre a nobre arte da decepção política, sobre violência e tragédia humana. O bombardeio do dia 9 de setembro de 1999 foi rapidamente atribuído a terroristas chechenos, mas realmente foi deles a responsabilidade? Ou será que o serviço secreto russo lhes atribuiu a autoria para aumentar a insegurança nacional e justificar o subseqüente ataque militar na recém-formada república da Chechênia?

sexta-feira, junho 22, 2007

Poemas de Guantánamo

Uma coleção quase clandestina de poemas escritos por prisioneiros da base militar americana de Guantánamo será lançada até o fim do ano por uma editora dos Estados Unidos
Poems from Guantánamos: The Detainees Speak ("Poemas de Guantánamo: Os Prisioneiros Falam", em tradução livre) já pode ser encomendada online no site da Universidade de Iowa Press.

Os organizadores da coleção disseram que os 22 poemas dos 17 autores foram inicialmente "escritos em pasta de dente, ou riscados com bolinhas de gude em copos de plástico", expressando o que chamam de "forma mais básica de arte".

Como qualquer comunicação escrita é considerada um potencial perigo – as autoridades consideram que poderia haver códigos secretos nelas – os textos tiveram de ser passados pelos presos aos seus advogados às escondidas dos guardas da prisão.

Um comunicado da editora diz que, depois, "cada linha teve de ser submetida ao escrutínio do Pentágono" antes de ser publicada.

Inimigos


Cerca de 380 prisioneiros considerados "combatentes inimigos" pelos Estados Unidos estão sendo mantidos em Guantánamo.

A prisão, para seus críticos, se tornou um símbolo do desrespeito aos direitos humanos por parte dos Estados Unidos em sua chamada "guerra contra o terror".

Um dos poemas, traduzido livremente abaixo, foi divulgado pela editora. O autor, Jumah al Dossari, é um prisioneiro de 33 anos do Bahrain, que está em Guantánamo há mais de cinco – desde 2003 – em regime solitário. Autoridades americanas dizem que ele já tentou o suicídio 12 vezes desde que foi preso:


Poema da morte (tradução livre)
Jumah al Dossari

Tome meu sangue
Tome minha mortalha e
Os restos de meu corpo.
Tire fotografias de meu cadáver no túmulo,
solitário.

Mostre-os ao mundo,
Aos juízes e
Às pessoas de consciência,
Mostre-os aos homens de princípio e os
justos

E deixe-os sentir o peso da culpa diante
do mundo,
Dessa alma inocente.
Deixe-os sentir o peso diante de suas
crianças e diante da história
Desta alma estragada, sem pecados,
Desta alma que sofreu nas mãos
dos 'protetores da paz'.


O livro deve chamar atenção para a situação dos presos em Guantánamo, muitos detidos sem julgamento e "em centenas de casos, presos em circunstâncias questionáveis".

O editor do livro, o professor assistente da Universidade de Norte Illinois e advogado de 17 prisioneiros em Guantánamo, Marc Falkoff, disse que os homens vivem "em um limbo legal".

Comentando a obra, a poetisa americana, Adrienne Rich, escreveu: "Os poemas e as biografias dos poetas revelam uma dimensão dessa narrativa obscurecida oficialmente, da perspectiva de quem sofre".

"Os ensaios legais e literários recriam o contexto que produziu – sob circunstâncias atrozes – uma poética da dignidade humana".

quarta-feira, junho 06, 2007

Nazistas na Lua

Com o passado apagado dos arquivos, muitos cientistas nazistas construíram brilhantes carreiras nos Estados Unidos - a ponto de batizar uma cratera lunar.

Naquele 23 de março de 1962, o Centro Espacial Marshall, no sudeste dos Estados Unidos, estava em festa. Era uma sexta-feira e o alto escalão da Nasa celebrava os 50 anos de Wernher von Braun, o prestigiado cientista alemão criador do foguete Saturno V, que levou os norte-americanos à Lua. A comemoração, que custou US$ 730,45, foi regada a muita bebida, comida e música.

Entre os convidados estavam Dieter Grau e Guenther Haukohl, na época investigados pela unidade de caça aos criminosos nazistas do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Nada que destoasse do clima da comemoração. O aniversariante era, ele próprio, renomado major da SS de Hitler e havia comandado um campo de trabalho escravo para a fabricação de mísseis durante a Segunda Guerra. E não era o único.

Após a queda dos países do Eixo, o governo norte-americano trouxe cerca de 1 600 cientistas nazistas - muitos deles criminosos de guerra - para trabalhar nos seus serviços de inteligência. Quando entravam no país, entretanto, todo o passado desses cientistas era apagado dos arquivos - Eles se tornavam apenas ótimos profissionais alemães ou austríacos.

É o caso de Herbert Wagner, membro da Tropa de Assalto de Hitler e criador do primeiro míssel guiado usado na guerra, e de Kurt Blome, réu absolvido em Nuremberg pela participação em crimes de eutanásia, extermínio de tuberculosos e mortes com experimentos diversos.

Blome foi representante do Conselho de Pesquisa do Reich, que aprovou a maioria dos experimentos nos campos de concentração. Apesar disso, trabalhou por quase 10 anos no exército norte-americano.

Nos Estados Unidos, esses pesquisadores viveram com altos salários e proteção do governo. Muitos deles são lembrados até hoje como heróis nacionais, tendo sido agraciados com prêmios e honrarias. Outros, como Von Braun, foram ainda mais longe. Seu nome ficou eternizado em uma cratera de 60 quilômetros de diâmetro na superfície da Lua.

terça-feira, junho 05, 2007

"Iraq tryptich"

Londres, 4 jun (EFE) Um grande quadro desenhado em carvão e em forma de tríptico (painel dividido em três partes) que mostra o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, e a sua esposa Cherie, nus no momento em que são "expulsos" de sua residência oficial do número 10 de Downing Street, é uma das peças centrais da exposição anual de verão (hemisfério norte) da Royal Academy of Arts londrina.

O tríptico - que recebeu o nome de "Iraq tryptich" - mede 4,5m por 1,5m e é um manifesto sarcástico contra a decisão do líder trabalhista de ingressar seu país na Guerra do Iraque, principal causa da queda de sua credibilidade e popularidade nas pesquisas.

No painel central do tríptico, Blair e sua esposa aparecem nus e de frente tapando as partes íntimas, enquanto abandonam sua residência oficial, como se fossem Adão e Eva sendo expulsos do Paraíso.

O painel esquerdo mostra um soldado britânico batendo de forma selvagem com um cassetete em civis iraquianos indefesos enquanto no direito há uma pilha de cadáveres e pedaços de corpos junto ao escritório oficial do primeiro-ministro.

O artista e membro da Academia, Michael Sandle, de 71 anos, apresentará oficialmente sua obra, que ganhou o prêmio Hugh Casson de desenho, na próxima quarta-feira, quando a exposição anual vai ser inaugurada.

"Não ia apresentar nada este ano, mas no final apresentei, porque estava furioso com Blair", disse Sandle, que critica o fato do primeiro-ministro não ter remorsos da participação britânica no Iraque "porque tem certeza de que fez o que devia".

Blair é o primeiro-ministro do Reino Unido mais intervencionista dos últimos cem anos ao ter enviado tropas para os conflitos de Serra Leoa, Kosovo, Iraque e Afeganistão.

sábado, junho 02, 2007

FLIP 2007


Festa Literária Internacional de Parati
4 a 8 de Julho

Destaques

Ahdaf Soueif
A vida de Ahdaf Soueif (1950, Cairo), dividiu-se desde a infância entre o Egito e a Inglaterra. Sua ficção reflete a experiência de crescer entre dois mundos e o peso suportado pelo estrangeiro ao transitar pelas cisões culturais. Seu primeiro romance, In the Eye of the Sun (1992), conta a história de uma jovem egípcia que viaja para estudar na Inglaterra. O mapa do amor (2007), indicado ao Booker Prize e lançado recentemente no Brasil, narra dois casos de amor anglo-egípcios. Soueif escreveu ainda um livro de ensaios, Mezzaterra (2004), e três coletâneas de contos, além de traduzir as memórias de Mourid Barghouti, Eu vi Ramallah (2006).

Amós Oz
Amós Oz (1939, Jerusalém, Israel), fundador e principal representante do movimento israelense Paz Agora, é o escritor mais influente de seu país. Poucos autores escrevem com tanta compaixão e clareza sobre as agruras presentes e passadas de Israel. Em romances como Meu Michel (2002) e Conhecer uma mulher (1992), Pantera no porão (1999) explora a persistência do amor durante a guerra. De amor e trevas (2005) é um livro de memórias sobre sua infância em Jerusalém. O autor já recebeu o Prêmio da Paz de Frankfurt, o Prix Femina Étranger, o Prêmio Israel e a Legião da Honra, na França. Seu último romance é Rhyming Life and Death (2007).

Ana Maria Gonçalves
Escritora da chamada "geração blogueira", Ana Maria Gonçalves (1970, Ibiá, Minas Gerais), surpreendeu o meio literário brasileiro com o seu segundo livro, Um defeito de cor (2006). A saga de 952 páginas acompanha oitenta anos da vida de uma africana capturada ainda criança em Daomé (Benin) e trazida para o Brasil. Como pano de fundo, a Bahia do século 19, e momentos históricos como a Revolta dos Malês, rebelião de escravos muçulmanos em 1835. Millôr Fernandes escreveu na orelha do romance: "O livro está entre os melhores que li em nossa bela língua eslava".

Ishmael Beah
Ishmael Beah (1980, Serra Leoa) tinha apenas 13 anos de idade quando lhe deram uma AK-47. Seus pais e irmão foram mortos pelo exército rebelde de Serra Leoa, a Frente Unida Revolucionária. Temendo por sua vida, e sem muito a perder, juntou-se às forças armadas. Era apenas o início de uma história de horrores. Muito longe de casa – memórias de um menino soldado (2007) é o relato pungente de milhões de inocentes presos no conflito civil de seu país. Beah vive agora no Brooklin, onde dá palestras e escreve ativamente sobre à questão das crianças-soldados.

Mia Couto
Natural de Moçambique, Mia Couto (1955, Beira) é um dos mais requintados escritores surgidos na África pós-colonial e uma das vozes mais originais da literatura lusófona contemporânea. Após a independência de seu país, Couto abandonou a faculdade de medicina e passou a se dedicar ao jornalismo. Já havia publicado diversos poemas e contos antes do surgimento de Terra sonâmbula (1993), seu romance fragmentário sobre a guerra civil moçambicana. Em O outro pé da sereia (2006), continua a explorar as fronteiras entre as geografias reais e imaginárias. Recebeu o Prêmio da União Latina de Literaturas Românticas em 2007.

Robert Fisk
Segundo o jornal The New York Times, Robert Fisk (1946, Maidstone, Reino Unido), o principal correspondente do jornal The Independent sobre o Oriente Médio, é “provavelmente o mais famoso correspondente internacional britânico”. Ao longo de 30 anos,cobriu os conflitos na Irlanda do Norte, a revolução portuguesa de 1974, a guerra civil libanesa, a revolução islâmica no Irã, o conflito Irã-Iraque, a guerra do Golfo em 1991, a guerra do Kosovo, a invasão do Iraque e, mais recentemente, a guerra entre Israel e o Líbano em 2006. Pobre nação, que trata sobre o Líbano, será lançado em breve no Brasil. É um dos poucos jornalistas ocidentais que entrevistaram Osama Bin Laden. Seu último livro é A grande guerra pela civilização – A conquista do Oriente Médio (2007).